quarta-feira, 16 de setembro de 2009

II Congresso de Genealogia SC INGESC

                                  
                       Foto oficial do II Congresso Catarinense de Genealogia

                          


                           

                                                                                                      Lançamento 
                    Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena

                          

       
                                           
 

Sinira - Palestra - Nativos Brasílicos e Africanos







Florianópolis vivenciou de 11 a 13 de setembro de 2009, o
II Congresso Catarinense de Genealogia, com os Eixos Temáticos:
Santa Catarina: "Quaestio Originis" – Origens Demográficas e Destinos. Foi um novo sucesso do INGESC. Bombou! 150 inscrições! Organização impecável da esforçada equipe: Salete, Tânia, Fernando, Ismênia, Wiliam, Elpidio, Maria Helena e Anete. Nossos parabéns.
Na noite do dia 11, após a abertura, tivemos um cocktail com ricas iguarias, inclusive ostras, para agradar os mais exigentes paladares.
Sentimos o carinho do povo da capital, a todo o momento e nos mínimos detalhes. Mesmo com a chuva e o frio, a hospitalidade da gente “floripana” se mostrou grande como a sua maravilhosa ilha. O almoço de sábado foi excelente.
Promovido pelo Instituto de Genealogia de Santa Catarina – INGESC, em parceria com a Casa dos Açores Ilha de Santa Catarina, o II Congresso proporcionou oportunidade de integração entre estudiosos e pesquisadores de genealogia e história das famílias catarinenses. Oportunizou debates sobre questões relacionadas aos estudos de Genealogia Catarinense, Arquivos e Fontes nas Pesquisas Genealógicas.
A Programação do Congresso incluiu a realização de Palestras e Mesas Redondas sobre as origens e destinos dos diversos grupos étnicos que formaram a diversidade cultural catarinense. Nas palestras foram abordadas e discutidas as origens das populações que formaram Santa Catarina - seus destinos, etnias, sobrenomes, procedência, onde se instalaram, a herança cultural que trouxeram e que legaram aos seus descendentes e à sociedade barriga-verde. Foram abordados os grupos étnicos: Portugueses Continentais, Nativos Brasílicos, Africanos, Açorianos, Alemães, Italianos, Gregos e Ucranianos. Outros temas de palestras: Apresentação do brasão do INGESC e o símbolo do II Congresso; Recursos de pesquisa da Biblioteca Nacional; Os Cemitérios de Santa Catarina; Apresentação Cultural - Vídeo Quilombola e lançamento dos livros “Autdeutschen: A História que não foi Contada” de Zélia Maria Nascimento Sell e “Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” de Sinira Damaso Ribas.
O INGESC recebeu uma dádiva de inestimável valor, a Biblioteca Genealógica de Elisiário Camargo Branco, de Lages.
Para êxito do II Congresso, participantes do INGESC e do Fórum SC-Gen, se fizeram presentes. Importante foi a participação da representante do Colégio Brasileiro de Genealogia, Regina Cascão, de Augusto Zeferino, vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, além de genealogistas do Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, coestaduanos, visitantes e estudantes da Grande Florianópolis. Para coroar o sucesso, empossamos novos sócios efetivos e o benemérito Osni Antonio Machado.
Daqui dois anos tem mais! Participe!

Por Sinira Damaso Ribas

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

II Congresso INGESC


Instituto de Genealogia de Santa Catarina – INGESC
II Congresso Catarinense de Genealogia.
Santa Catarina: “Questio Originis” –
Origens Demográficas e Destinos.
11 a 13 de setembro de 2009 - Florianópolis/SC




Prezados Senhores,

Encaminhamos release de palestra a ser proferida durante o II Congresso Catarinense de Genealogia, promovido pelo Instituto de Genealogia de Santa Catarina:

Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas Escolas

Ministrante: Professora Sinira Damaso Ribas.

Data e Local: 12/09/2009, às 09h10min, Auditório Pe. Eduardo Michelis, Casa de Encontros Provincialado do Coração de Jesus, Florianópolis/ SC.

A Lei 11.645/2008 torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nos estabelecimentos de ensino fundamental e ensino médio, públicos e privados.

A palestrante apresentará à comunidade o Caderno Pedagógico Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, de sua autoria, direcionado para alunos de 6.º ao 9.º ano do Ensino Fundamental, trabalho no qual busca levar alunos e educadores a se posicionarem de maneira reflexiva e crítica sobre o significado e abrangência que o tema propõe.

É também proposta desse caderno pedagógico repensar a forma de trabalhar a multiculturalidade na escola, numa tentativa de contribuir com a construção de relações em que a diversidade seja foco de respeito e reflexão. O tema propicia a aprendizagem e a apreensão de algumas peculiaridades dos povos indígenas e de afrodescendentes, reconhecendo essas culturas e sua contribuição valorativa para a formação do povo brasileiro miscigenado.

O estudante e a sociedade devem reconhecer o quanto herdaram dos povos brasílicos originais e das culturas trazidas pelos africanos para fortalecer o sentimento de BRASILIDADE.

Sobre a palestrante: Sinira Damaso Ribas é Pedagoga, Especialista em Administração Escolar e Pós-Graduada em Interdisciplinaridade. Escritora de obras históricas, didáticas e paradidáticas, dentre as quais Resgate de Memórias. Papanduva em Histórias. Famílias; Coleções Corpo Enxuto I e II; Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. É sócia-fundadora do Instituto de Genealogia de Santa Catarina – INGESC.
Organizadores II INGESC

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mulheres do Contestado

Fórum SC-Gen -
 Release de "As Mulheres do Contestado", tema abordado no programa "Nossa História", com a participação de diversos entrevistados, dentre os quais destacamos nossa colega Sinira Damaso Ribas!


De: "programa Nossa Historia"
http://br.f528.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=nossahistoriaam630@hotmail.com
"As Mulheres do Contestado" - tema do programa "Nossa história" de 25 de agosto de 2007 - sábado, seis da tarde, transmitido pela Rádio Paraná educativa am 630.A jornalista Zélia Sell, que já pesquisa o tema, reuniu escritores e historiadores que encontraram, em seus trabalhos de genealogia, perfis de parentes do sexo feminino que viveram nessa época.
O Contestado é um tema abordado em livros de dezenas de autores, mas o destaque à participação feminina no episódio não tinha acontecido até então.
As bravas mulheres do Contestado tiveram suas propriedades invadidas, seus bens saqueados e seus parentes mortos de forma cruel. Mães de família, fazendeiras, comerciantes, parteiras, elas foram conduzidas a redutos e muitas vezes se transformaram em guerreiras valentes como Maria Rosa e Chica Pelega.
O programa apresentará também o projeto para que uma praça seja dedicada em Curitiba a essas mulheres.
"Nossa História" pode ser ouvido pela internet no sábado, das 18h00 às 19:00 horas na página:
http://www.pr.gov.br/rtve
clicando no link à esquerda da tela onde se lê "Rádio am 630 ao vivo".
Sugestões podem ser enviadas para: Caixa Postal 25 - CEP 80011970- Curitiba-Paraná


Mulheres no Contestado
Sinira Damaso Ribas

No tema, Mulheres no Contestado, meu enfoque é sobre uma senhora da população civil, que se viu envolvida no conflito.


Vou contar a história de Maria Peters da Silveira, (1881–1967), nascida em Bela Vista do Sul SC, descendente de imigrantes alemães.
Maria era irmã gêmea de João, nascidos em 1881. É filha de João Peters (1841) e de Rosa Peters (1844), por sua vez, filha de Suzana Stresser (1818) e Jacob Peters (1813). Suzana era filha de Suzana Maria Raiter e João Stresser (1800), chegados em Rio Negro em 1829.
Criou-se em Bela Vista do Sul (hoje Mafra), numa família numerosa, envolvida nas lides campeiras e lavoura. As meninas preparavam-se para ser donas de casa e boas mães de família, tarefa que ficava a cargo de sua mãe, Dona Rosa Peters. A família era católica e repassava aos filhos a rígida educação que trouxe do berço da longínqua Alemanha. Casou-se com Luís Damaso da Silveira Filho (1873 – 1938), morador de Bela Vista do Toldo SC, nascido na Lapa PR.
Maria era uma mulher alta, meiga, de traços delicados, culta, lia muito. Estava sempre de vestido longo e na mocidade usava espartilho. Para andar a cavalo, as mulheres sentavam-se de lado, sobre o selim e o vestido era estendido sobre a garupa do animal.
O casal Luís e Maria veio morar na localidade de Salceiro, nas proximidades de Canoinhas, já no início do século passado. Ali construiu casa de morada, com amplos galpões e celeiros. Cuidavam da agricultura de subsistência, criação de gado e suínos.
Marica assumia o encargo de cuidar das vacas de leite, da horta, do jardim, e da criação dos filhos. Contava para isso com a preciosa ajuda de algumas serviçais e já com as meninas mais velhas para cuidarem dos irmãos pequenos. Era uma dona de casa dinâmica e prendada. Com a abundância de leite que se produzia, fazia queijos, que eram vendidos em Canoinhas. Para isso, uma vez por semana, Marica chamava os meninos para atrelarem um animal em sua charrete e lá ia ela, com algumas crianças menores até à cidade, vender queijos curados, ovos, requeijão, nata e leite fresco.
Em janeiro de 1912, Marica, com apenas 31 anos, já tinha os filhos, Rosa, Vitório, Davino, Hercílio, Anita e João Batista.
Iniciava-se o ano de 1912, e Maria, já em 15 de fevereiro, pariu o seu 7º filho, o pequeno Jair. Numa madrugada, quando o nenê estava com 17 dias, a família foi acordada com o aviso de que jagunços estavam se aproximando do Salceiro e era preciso tomar providências para não perecer.
Dias antes Luisinho já soubera que em Canoinhas, alguns revoltosos andavam fazendo motins na localidade. Muita gente estava sendo injustiçada por ação de desapropriações e desmando de alguns chefes da Lumber. As autoridades se mostravam omissas e alguns líderes da comunidade se colocavam a favor dos injustiçados revoltosos.

Em 1910, a Souther Brazil Lumber and Colonization Company, instalou-se em Três Barras e construiu ramais ferroviários que partiam do pátio da serraria e rasgavam densos pinhais, prejudicando muitos posseiros e proprietários que há muito viviam no planalto.
A região era habitada por descendentes de alemães, imigrantes poloneses e na grande maioria pelos caboclos nativos ou operários da Lumber.
Com o conhecimento do perigo iminente, Luís e Marica tomaram seus filhos, alguns pertences e saíram de casa, pelos fundos da propriedade, de barco, através do rio Canoinhas. Pelo rio seguiram até certo ponto e depois a cavalo rumaram por terra a Bela Vista do Sul para se refugiarem junto aos familiares Peters.
Entre as peripécias da viagem consta que o bebê Jair caiu do cavalo, mas nada de pior aconteceu porque estava envolto em mantas e muito bem acondicionado nos tradicionais cueiros e faixas de antigamente.
A casa da família Damaso da Silveira, no Salceiro foi saqueada pelos jagunços, que dela levaram tudo e inclusive animais e víveres dos celeiros. Para completar o quadro de destruição a casa foi queimada e só sobrou a chapa do fogão jogada dentro do poço.
Imaginemos a angústia que passou a família com 7 filhos, quase sem roupas, sem cobertas, sem móveis e sem casa. O importante é que ninguém pereceu.
Maria foi muito forte nesta adversidade e encontrou em Bela Vista do Sul, no seio da família Peters o abrigo. O mesmo aconteceu com Luís, que foi ajudado nesta triste circunstância, pelos irmãos e pelos pais, moradores em Bela Vista do Toldo.
Era gente de pulso firme e não se deixou abalar.
A família de Maria e Luizinho Damaso ficou por vários meses em Bela Vista do Sul e o bebê Jair Damaso da Silveira só foi batizado em Canoinhas, pelo Frei Menandro Kampe em meados de agosto de 1912, quando a família regressava do exílio.
Reconstruíram sua casa de morada no Salceiro, ainda maior e melhor, um casarão, hoje restaurado e tombado para preservação.
Dona Marica Damaso, como era conhecida, ainda teve mais uma filha, Alaíde, e vivenciou até 1915, os horrores da época da revolta do Contestado.
O casal teve ainda a desdita de ver seu pai e sogro decapitado por integrantes de um piquete de jagunços em Bela Vista do Toldo em 27 de julho de 1915, juntamente com 11 moradores. Era o comerciante octogenário Luís Damaso da Silveira.
O conflito terminou em 1916 e a vida voltou ao normal.
Maria Peters da Silveira foi um exemplo de mulher e tenho o maior orgulho do mundo de ser sua neta.

                                                                         * * *

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