quinta-feira, 1 de abril de 2010

Aldeamento de São Tomaz de Papanduva



Relato publicado em jornal em 1876 sobre um encontro com indígenas do Rio Preto envolvendo o sertanista Joaquim Francisco Lopes, genearca de valiosa família papanduvense.


Jornal Kolonie Zeitung. P 135 de 19/08/1876.


"Bugres - Do Planalto noticiamos o seguinte: Um dia encontrava-se trabalhando na roça, o filho do alemão Clemente Sauer, quando de repente assustou-se ao ouvir um batido repetido três vezes em uma velha árvore. Há poucos metros dele encontravam- se três bugres, que lhe faziam sinais. Ao primeiro susto, Clemente apanhou sua arma, mas como viu que os bugres estavam desarmados, e assim o demonstraram, largou a arma. Então eles se aproximaram e um deles, que se apresentou como "cacique baixo" e falava poucas palavras em Português, disse-lhe que eles vieram a ele para pedir-lhe que ele procurasse o conhecido Lopes, que se acha encarregado pelo governo, de os civilizar para que lhe diga que em cinco dias (os dias foram demonstrados através do movimento dos braços) Lopes os encontrasse em um determinado local na mata, onde eles pretendiam com este conversar. Clemente prometeu levar o recado, e logo após os bugres desapareceram. Sauer foi em direção à casa de Lopes, que morava um pouco afastado. Lopes advertiu que Sauer nem se incomodasse mais com eles, caso contrário poderiam matá-lo.

Após alguns dias, quando Clemente trabalhava em sua roça, apareceram novamente os três bugres. O porta-voz agradeceu-o novamente por ter atendido ao pedido feito, dizendo que o observaram, apesar de ele não os ter visto, até o momento em que chegou a casa de Lopes. Disse que ele (Sauer) e sua família poderiam ficar tranqüilos, pois nunca lhes fariam mal. Por outro lado, disse (o bugre) que havia um conhecido morador do distrito de São Bento, que havia sido por várias vezes encarregado de caçar bugres, e que este sim, deveria tomar cuidado. Ao ouvir o nome do caçador, os bugres cerraram os dentes com ódio. Ao serem questionados do motivo do assalto (ou de intenção?), responderam ser por vingança. Perguntou também quantos eles eram e responderam serem muitos (através de gestos com as mãos), que seu povo vinha de três grupos ou clãs agrupados. Um grupo sob o comando de um cacique baixo, como ele o referiu, que se encontrava no pé da serra, um segundo grupo sob o comando de um cacique baixo no outro lado do Rio Negro e o terceiro grupo sob seu comando, deste lado do Rio Negro. O Capitão grande (Ober cazike) mora no morro Tayo e seria seu pai, e que o mesmo seria um velho homem, que já não poderia mais caminhar e estava fraco. Despediram-se de Clemente deixando diversos pequenos presentes, comentando que voltariam outro dia para uma visita.

Sauer contou o fato ao Sr. W. Engelke, empreiteiro da estrada (Dona Francisca), sendo que este combinou com Sauer de levar alguns presentes, e combinou uma data para encontrá-lo em sua roça para aguardar a visita dos bugres. No entanto, os bugres não apareceram, embora fosse perceptível sua presença na mata. Mesmo quando Sauer afastou-se do local, e Engelke permaneceu sozinho, não apareceu ninguém.

Dr. Engelke retornou e tem esperanças de que através da mediação de Clemente possa ainda ser possível uma reunião com os bugres em Rio Preto. O líder dos três bugres que se encontraram com Clemente tinha cabelo cortado em forma arredondada. Os outros dois tinham cabelo cortado na altura da testa, e todos três usavam o botoque (pedaço de madeira) sob o lábio inferior." (grifos nossos)

Sobre estes aldeamentos, também foram publicadas notas em diversas edições, na região do vale do Itajaí, mas não há mais citação de Lopes, porque este sertanista mudou-se para formar o Aldeamento de São Tomaz de Papanduva. (Sinira. Fórum SC-Gen)

Aldeamento de Papanduva

De acordo com Santos [1], a primeira tentativa de aldeamento para índios Xokleng em Santa Catarina foi promovida em 1877 pelo sertanista paranaense Joaquim Francisco Lopes. A intenção era proteger os colonos da vila de Rio Negro e os tropeiros que demandavam pelo Caminho das Tropas.

A região de Papanduva era território do Paraná. Wachowicz diz que “por duas vezes Lopes tentou a catequese dos Xokleng na região do Contestado, sem qualquer sucesso. Tais incursões começaram em 1868 e em 1877 o governo encarregou-o de fundar um aldeamento a cerca de cinco léguas de Rio Negro, num lugar “ao qual [Lopes] deu o nome de S. Tomás de Papanduva”. Lopes não recebeu as verbas prometidas e de Papanduva foi exercer suas atividades de sertanista ao Norte do Paraná.

Segundo Wachowicz, citado por Fernando Tokarski, Lopes não recebeu do governo as verbas prometidas e esta foi uma das causas da extinção do primeiro aldeamento de Santa Catarina.

                                              * * *
Os jornais antigos, de acordo com a visão daqueles tempos, só reproduziam o lado dos colonizadores e nunca ouviam o lado oposto. Seria a questão de ouvir os dois lados, premissa básica do moderno e sério jornalismo.

E mais, os jornais e os relatos orais só falavam das "maldades" dos povos primitivos, os Xokleng. Sempre omitiram as "barbáries" e o genocídio impetrados contra os verdadeiros donos da terra. Mas, a verdade dos vencedores fala mais alto...

"O sertanista Joaquim Francisco Lopes de Oliveira era pai de Dulcíndio Joaquim Lopes de Oliveira (Dúrcio), que foi morto na noite de 25 de dezembro de 1911 junto com seu filho Luiz Lopes de Oliveira. Sem chances nenhuma foram fuzilados por 72 jagunços por causa do estoque de mantimento e sal que tinham em sua casa.
Deixou os seguintes filhos: Alfredo Lopes de Oliveira[2], José, Antoninho, Deolindo, Geraldina , Maria da Conceição e Francisca".

A história de Lopes é realíssima, tanto é que os seus descendentes ainda vivem em Papanduva e por extensão em todo o Planalto Norte de SC.
http://sinira10@blogspot.com

1 SANTOS, Sílvio Coelho dos. Índios e brancos no sul do Brasil: a dramática experiência dos Xokleng. Florianópolis: Edeme, 1973. p. 76-77.
2 Alfredo Lopes de Oliveira é um vulto cívico papanduvense.
                                                             * * *

segunda-feira, 29 de março de 2010

DEIXE UM COMENTÁRIO

      

        É com muita satisfação, que recebo vocês em meu blog e espero que gostem da miscelânia de postagens .

        Gostaria de pedir, a todos que visitam o blog, que deixem um comentário, sugestões ou críticas.

       Eu sei que algumas matérias são meio longas , mas certos assuntos necessitam de uma atenção maior.

      O que motiva nós "blogueiros" a continuarmos postando, é quando recebemos comentários ou conseguimos seguidores; ou não tem como sabermos se estão aprovando ou mesmo visitando o blog.
Hasta la vista!
     Beijokas da Sinira
                                                                           * * *

2 0 1 2 - O Mundo Não Vai Acabar

                                                                      2012


As profecias de fim de mundo têm sempre um atrativo especial. Bastante atrativas são também as histórias sobre conhecimentos ocultos detidos por civilizações antigas. Vem isto a propósito do filme 2012 que estreou em 2009.

Gostei muito dos efeitos especiais, da imaginação dos produtores, da grandiosidade da ficção.

O que eu acho?
                                    (Mas quem sou para achar alguma coisa ???)

Pode acontecer aos poucos o fim de boa parte da humanidade e não o fim do mundo.

É interessante ver que as previsões são só sobre o que se passa numa parte de um minúsculo ponto do espaço – Terra; a Ficção Científica esqueceu-se do restante.

Mas o que se passa de fato é que a Terra roda em torno de si própria, viaja pelo espaço ao redor do Sol, o Sol viaja em volta da Via Láctea, a Via Láctea, por seu turno, também se movimenta em direção a outras galáxias no nosso Grupo Local, o Grupo Local também viaja.... hiii.....

O mundo não acaba nem para quem morre. Penso que em relação a esta questão, não temos certezas, mas como todos sabem, o planeta já sofreu várias alterações desde o seu nascimento, a era dos dinossauros, a era glacial, o aparecimento do Homem, etc.a era dos músculos, a era tecnológica... Durante todas estas eras o mundo foi-se alterando e adaptando-se, o Homem foi evoluindo, os animais foram-se extinguindo uns e nascendo outros. Isto é um ciclo, em que por mais que desapareça ou morra alguma coisa, algo de novo surgirá.

A verdade é que os Maias, que tinham um calendário mais preciso, mais complexo e muito mais holístico que o nosso, previram vários acontecimentos que se passaram, como a chegada do homem branco - Hernan Cortez - a 8 de Novembro de 1519. Este calendário Maia prevê que algo de muito grave se passará no solstício de Inverno, 21 de Dezembro, de 2012. Tão grave será o acontecimento, que o mundo tal como o conhecemos desaparecerá. Isto não quer dizer que o mundo acabará, quer simplesmente dizer que um grande acontecimento transformará o mundo.

Ora, sabe-se atualmente que nesta data durante o solstício, a Terra estará alinhada com o Sol e com o centro da nossa galáxia, Via Láctea. Poderá haver uma mudança do campo magnético terrestre, que acontece periodicamente. Ou já está acontendo aos poucos....???

Eu quero dizer que acho que 2012 não é o fim dos tempos. Aqueles que construíram o calendário visualizaram um rearranjo cíclico de elevação vibratória para este planeta.

Quem sabe este fim do mundo a que a profecia se refere é apenas uma passagem, uma mudança de um tanto dos terráqueos para outra dimensão. Mas vai acontecendo aos poucos.



De agora em diante, as mudanças planetárias devem tornar-se muito mais intensas e continuadas. Não só as mudanças físicas, mas também as espirituais e energéticas. Todos nós devemos nos manter absolutamente conscientes e desenvolver a mais elevada vibração de que sejamos capazes.


Continuemos enviando luz e amor à Mãe Terra. Gaia necessita disso para superar esse tempo de mudança energética. Sigamos cuidando dos irmãos que ainda não despertaram. Haverá muita gente ao redor necessitando de nossa luz e amor incondicional.

Somos Um com DEUS. Ânimo, para que consigamos um avanço muito importante para ancorar a Nova Dimensão na Terra.


                                          * * *
Simplesmente 21/12 2012 é o fim do calendário maia, mas este povo não deixou escrito algum falando em fim de mundo.

É muito sensacionalismo e imaginação. Os Maias tinham muito conhecimento astronômico e nas profecias eles não previam um fim, mas uma transformação: creio que só devemos aguardar para ver e torcer para que fanáticos de plantão não levem multidões ao desvario, isso realmente é o que mais me preocupa... Não estou aqui tirando a importância da transformação que o planeta deve sofrer até esta data, porque furacões, tsunamis, terremotos, deslocamento de placas, cataclismos, já estão ocorrendo, então a meu ver, já estamos no inicio desta transformação.

Não encarem como fim do Mundo, mas o fim de mais um ciclo.

A nós, toda a humanidade, apenas nos cabe ir vivendo o presente com um olho no futuro para mais tarde estarmos preparados e evoluídos. Espero que não fiquemos pensando que o mundo acabará em tal dia ou ano, porque nunca se sabe o amanhã.
 Como será o fim é incerto para todos nós.
A Terra e as criaturas estão passando para uma dimensão mais elevada.
O importante é expandir amor e bondade a todas as direções.

Um grande abraço a todos.


"Une vie sans amour, c'est une vie sans soleil." Hervé Bazin

                                              * * *
Mais algumas reflexões:

O livro, Efeito Isaías de Gregg Braden, trata de um dos  mais importantes Manuscritos do Mar Morto.
Nesta obra o autor combina pesquisas no campo da física quântica com as palavras do profeta Isaías e dos antigos essênios. Ele demonstra que as profecias que se referem a uma catástrofe global e a sofrimentos podem representar apenas possibilidades futuras, e não previsões de um fim iminente, e afirma que temos o poder de alterar essas possibilidades.
Não foram só catástrofes que os profetas previram mas também tempos de paz, amor e prosperidade.
É a mensagem de esperança que Isaías nos legou. Nosso futuro ainda não chegou! Ainda o estamos definindo, com escolhas coletivas no presente.
Segundo conclusões de Braden, “Profecias representam apenas possibilidades futuras” Temos o poder de alterar; (...) “as orações produzem efeitos que podem ser mensurados”.
Os escritos de Isaías enfocam uma ciência que revela como escolher o futuro – é uma modalidade de oração que se perdeu no tempo.
É preciso orar com o pensamento, sentimento, emoção. E fazer meditação!
Façamos orações de gratidão pelo que já existe ao invés de pedir que nossas preces sejam atendidas ou ouvidas. Pedir, pedir, pedir, firma no subconsciente a idéia de carência, o que é contraproducente.
“O milagre já aconteceu e nossas preces já foram atendidas”.
A moral da história é vislumbrar as consequências futuras das escolhas que fazemos HOJE – é a ciência da profecia! E mais... - a tecnologia de um tipo esquecido de ORAÇÃO que nos dá chance de escolher a profecia que queremos ver realizada.
 É a lei da criação.
Importante também é a gratidão pela oportunidade de fazer escolha. Parece complexo, mas funciona.
Profeta Isaías e o escritor Gregg Braden nos proporcionam o conhecimento de uma forma antiga e eficaz de oração.


Faço votos de que você viva:
"Celebrando al Espíritu,
Honrando al Humano,
Y en la Infinita energía del Amor" (Wunderlin).


Abraço, Sinira





                                                           * * *

quarta-feira, 17 de março de 2010

MEUS LIVROS E COLEÇÕES

                   MEUS LIVROS E COLEÇÕES                            
                                  * * *
Identidades.
História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.  Lei 11.645/2008


Ensino Fundamental         Dutty Editora



           O presente caderno pedagógico é integrante da Coleção Brasilidade e tem como objetivo a divulgação e produção de conhecimentos, atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos quanto à pluralidade étnico-cultural, tornando-os capazes de interagir com todos de maneira igualitária, com valorização de identidades.

          Cabe-nos estudar a formação da população brasileira como processo de integração das origens indígenas e afro-brasileiras. Estes povos ajudaram a construir o Brasil de hoje com sua bagagem de cultura, costumes e tradições.
                                                                                                        sinira@globo.com

Obras anteriores:

                                                        xxxxxxxxxxxxxxxxxx


                                   Primeira e última obra











segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Reencontro de Formandos 1976 Colégio Papanduva


 
 
 
 




Os alunos e professores que tiverem  mais fotos podem me enviar para acrescentar aqui.
Enviem para sinira @globo.com

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Tropeirismo no Planalto Norte Catarinense


I Gincana Cultural – Projeto “O Legado do Movimento Tropeiro” realizado pela UnC – Campus de Mafra - 2010



         A Gincana teve início no mês de maio e faz parte do projeto de pesquisa que visa levantar o legado sócio-cultural do movimento tropeiro ao longo do antigo caminho no trecho do município de Mafra ao município de Papanduva tendo como tema O Tropeirismo. Sob a coordenação do professor Sandro Moreira, o projeto teve seu início no final do ano 2009 e encerrado no mês de setembro 2010 com o lançamento de um livro, incluindo o material coletado na Gincana Cultural.

O projeto tem apoio da Fundação Catarinense de Cultural através do Edital Elisabete Anderle, do Estado de Santa Catarina e da Universidade do Contestado
Onde eu  Sinira  entro nesta história?


Uma equipe da gincana me pediu ajuda, o que atendi prontamente.


Enviei 5 “causos” de tropeiros para o pessoal.
E ganhamos o primeiro lugar.


Recebi o resultado por e-mail:
De: "prof.cinthia@gmail.com"


12/08 2010
Olá Sinira
Agradeço a sua ajuda de causos. A equipe com que colaboramos ganhou em 1º lugar, saiu hoje o resultado.
Abraços,
                Cínthia

Quais os “causos” que enviei?

* Tropeiros perecem no Passo Ruim
* O Tropeiro, o índio e da onça
* O Tropeiro e o Corisco
* Tropeiro Alemão
* Resquícios do Tropeirismo em Papanduva


Entregue a premiação da I Gincana Cultural – Projeto “O Legado do Movimento Tropeiro” realizado pela UnC – Campus de Mafra
Na segunda quinta-feira (12) do mês de agosto de 2010, o Espaço do Pátio da Pedra recebeu para premiação as equipes vencedoras da I Gincana Cultural – Projeto “O Lageado do Movimento Tropeiro”.
      As equipes que participaram da Gincana coletaram o material através de entrevistas com pessoas moradoras na região compreendida do projeto de pesquisa.
      Na Categoria ensino médio a equipe vencedora foi Caçadores de Histórias 2 da Escola de Educação Básica Professora Paula Feres composta pelos alunos: Diego Patrick Ferreira de Moraes, Anderson Kalisky, Fabiano Goes Lucas, Camila Padilha, Gilmar Wengrnovski.

     Na categoria ensino superior a equipe vencedora foi a Caçadores de Cultura do Curso de Ciências Biológicas da UnC, Campus de Mafra composta pelos acadêmicos: Adriana Cristina Goldbach, Ricardo Smaga, Ana Carolina Zieskowski, Luciano Valério Junior.

Valeu moçada!




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    Tropeiros Perecem no Passo Ruim

Kolonie Zeitung de 01/02/1868 nº5 –pg.18 *1

Jornal da Colônia foi publicado na Colônia Dona Francisca,

antiga denominação para a cidade brasileira de Joinville.


Eis o texto do jornal há mais de 140 anos:


“No dia 13 de janeiro de 1868, no local denominado ‘Passo ruim’, no caminho de Rio Negro a Lages, a 8 léguas de distância de Rio Negro, foram mortos por bugres, quatro tropeiros adultos e dois garotos. Conduziam uma tropa de 17 mulas, carregadas de gêneros de secos e molhados.                      Faleceram no ataque, José Fernandes, José Mariano dos Santos, Francisco de Carvalho, João Manoel Ribeiro e os garotos Johann, e Generoso.”

Kolonie Zeitung - 01/02/1868-nº. 5- p.18 - resumo.


Tanto é verdade que José Mariano dos Santos foi inventariado em Lages, conforme consta COD. 10 CAIXA 34 (O1) 08. 1868 no
Museu do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina.__._,_.__


Passo Ruim é hoje comunidade adjacente à cidade de Papanduva SC, que naquele tempo pertencia a Rio Negro PR. Pertinho dali, se localiza o Passo da Cruz, local de muitas mortes de tropeiros no trajeto Sorocaba/Viamão.


Passo Ruim era um banhado no Caminho das Tropas, pela má drenagem de um afluente do rio São João. Era local de ataques de feras, índios e saqueadores de tropas. Assim se justifica o nome. Este episódio de 1868 vai para os meus registros históricos.
Em vão tentaram mudar o nome para Passo Feliz, mas não pega.


Hoje, as famílias Ribeiro, Santos, Fernandes e Carvalho continuam entre as pioneiras de Papanduva, mas constavam como de Rio Negro. E a BR 116 passa tranquila cortando a região sul.
Sinira Damaso Ribas. Papanduva, SC
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1 - Kolonie-Zeitung (Jornal da Colônia), foi um jornal publicado na Colônia Dona Francisca, antiga Joinville Santa Catarina. Foi fundado por Ottokar Doerffel. Seu primeiro número foi publicado em 20 de Dezembro de 1862, com máquinas trazidas de Hamburgo. Com uma tiragem inicial de 300 exemplares, funcionava como órgão informativo para a Colônia Dona Francisca e Blumenau. Doerffel enviava também 50 exemplares a Hamburgo, para distribuição na Alemanha.
Ao longo dos 80 anos de sua existência o jornal mudou de nome em 5 ocasiões.


Apesar de chocante, a íntegra da notícia foi publicada, e eu a transcrevo aqui, pois talvez seja útil a interessados no assunto em relação a alguns detalhes colocados:

“Rio Negro -17 de janeiro de 1868.


Um triste acontecimento deixou nossa freguesia abalada. Em 13 de janeiro, na estrada de Rio Negro a Lages, a 8 léguas de distância daqui, em Passo Ruim, um tropa com 17 mulas, que estavam carregadas de gêneros de secos e molhados foram atacados por Bugres e todos os condutores, quatro homens e dois garotos (jovens) foram mortos. Em 14 de janeiro veio a notícia através de um viajante que passou pelo local no início do dia; imediatamente o Subdelegado, Sr. Johann Bley, dirigiu-se, ao meio dia, com 30 homens, para o local do ocorrido. Na manhã do dia 15, o grupo chegou ao local e encontrou tudo da forma como foi deixado. Era uma visão horrorosa. Os corpos estavam deitados completamente nus, já em início de decomposição, com as varas, com as quais os mataram aparentemente colocadas propositalmente sobre seus corpos. As varas, em ambas as extremidades são untadas com cera, provavelmente de forma a não escorregarem da mão durante o uso.


Quantos aos mortos, Benedito José Fernandes apresentava uma lesão de porrete (Keulenschlag) no meio da cabeça, José Mariano dos Santos três lesões, e dois cortes de lança no abdômen; João Manoel Ribeiro, três lesões na cabeça e um em cada braço; Francisco de Carvalho quatro lesões na cabeça e o braço esquerdo esmagado; o jovem Johann, uma lesão na cabeça e o jovem Generoso três lesões na cabeça. Em todos caso, foram mortos durante o sono. Dos mortos, Carvalho estava deitado a uma certa distância em uma depressão. Possivelmente, tenha este acordado, levantado e corrido, e perseguido, buscado e então assassinado. O jovem Generoso foi encontrado em torno de 50 braças do local, na mata. Os Bugres não costumam matar crianças, mas os aprisionam para levá-los consigo; talvez Generoso tenha sido levado à família dos bugres e mais tarde assassinado, ou talvez os bugres, então sobrecarregados com materiais, e o garoto pode ter sido um incômodo, ou talvez tenha gritado demais, podendo chamar a atenção, denunciando o acontecimento; já era início da manhã e já se podia ouvir o trotar de qualquer cavaleiro. Isso pode ter causado a pressa dos bugres em fugir sem roubar-lhe as roupas. O menino por isso, talvez ainda estivesse vestido, enquanto todos os outros corpos foram encontrados nus. Apenas sobre um dos mortos havia sido curiosamente colocado um cinto indígena. Todas as mulas desapareceram, sem dúvida levadas pelos bugres, já que de todas as carnes, é a da mula a que estes preferem. Eles, no entanto não se preocuparam em colocar os cabrestos (Halftern); todo o material em couro e celas (Tragsättel) ainda foi encontrado, apenas o material em ferro e metal foi retirado. Do carregamento restava espalhado muita farinha, café, sal, e outros. Os bugres apenas levaram o que estava em sacos; 42 mil reis em moeda - papel, ainda estavam no local, já que para os bugres este não tem utilidade. Um tonel de cachaça foi encontrado vazio com seu fundo quebrado. A perda em materiais foi de 800 a 1.000 reis. Devido ao estado de decomposição dos corpos não foi possível transportá-los à cidade, e assim foram enterrados naquele local.

Na manhã de 17 de janeiro, o Subdelegado e seu grupo retornaram a esta cidade. Desde aproximadamente 18 anos não havia ocorrido ataque igual nesta região. Mas, é possível que isso ocorra novamente, já que atualmente, em todos os lugares nas matas da região observam-se muitos rastros de bugres”.

Kolonie Zeitung, p. 19-1/2/1868- nº.5

E assim foi........

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Festa de Lançamento de livro

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♥ O Amor do Tropeiro nos Caminhos do Sul ♥

Papanduva, 12 de agosto de 2006

Autora ►Sinira Damaso Ribas

O evento contou com Exposição de Arte e um saboroso

Café Colonial em prol da Associação Lar Vó Madalena






Texto de A Gazeta de São Bento do Sul - 14 de agosto de 2006
A escritora papanduvense Sinira Damaso Ribas, lança o segundo livro. Neste segundo trabalho a escritora introduz o romantismo e o amor de dois personagens da época, em episódios do tropeirismo, misturando a ficção a realidade. “O Amor do Tropeiro nos Caminhos do Sul”, título do livro, será lançado oficialmente em evento onde será acompanhado por um autêntico café colonial, no Clube Papanduvense, às 19:00 horas do dia12 de agosto.

A autora é papanduvense, orgulhosa de suas raízes, professora e pesquisadora de Genealogia e História. Seus estudos abordam temas envolvendo o Contestado, o Tropeirismo e História Regional. A obra revive a saga das tropeadas no Brasil oitocentista, entre Viamão/RS e Sorocaba/SP, com seus costumes, companheirismo, caçadas, pescarias, aventuras e amores.

A festa será abrilhantada com um saboroso Café colonial em prol do Lar Vó Madalena, conceituada instituição filantrópica local. O livro estará à venda em diversas livrarias do Planalto Norte ou pelo e-mail: sinira@globo.com.
O primeiro livro da autora “Resgate de Memórias – Papanduva em Histórias. Famílias”, foi um grande sucesso.

                                                  * * * 



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

II Congresso de Genealogia SC INGESC

                                  
                       Foto oficial do II Congresso Catarinense de Genealogia

                          


                           

                                                                                                      Lançamento 
                    Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena

                          

       
                                           
 

Sinira - Palestra - Nativos Brasílicos e Africanos







Florianópolis vivenciou de 11 a 13 de setembro de 2009, o
II Congresso Catarinense de Genealogia, com os Eixos Temáticos:
Santa Catarina: "Quaestio Originis" – Origens Demográficas e Destinos. Foi um novo sucesso do INGESC. Bombou! 150 inscrições! Organização impecável da esforçada equipe: Salete, Tânia, Fernando, Ismênia, Wiliam, Elpidio, Maria Helena e Anete. Nossos parabéns.
Na noite do dia 11, após a abertura, tivemos um cocktail com ricas iguarias, inclusive ostras, para agradar os mais exigentes paladares.
Sentimos o carinho do povo da capital, a todo o momento e nos mínimos detalhes. Mesmo com a chuva e o frio, a hospitalidade da gente “floripana” se mostrou grande como a sua maravilhosa ilha. O almoço de sábado foi excelente.
Promovido pelo Instituto de Genealogia de Santa Catarina – INGESC, em parceria com a Casa dos Açores Ilha de Santa Catarina, o II Congresso proporcionou oportunidade de integração entre estudiosos e pesquisadores de genealogia e história das famílias catarinenses. Oportunizou debates sobre questões relacionadas aos estudos de Genealogia Catarinense, Arquivos e Fontes nas Pesquisas Genealógicas.
A Programação do Congresso incluiu a realização de Palestras e Mesas Redondas sobre as origens e destinos dos diversos grupos étnicos que formaram a diversidade cultural catarinense. Nas palestras foram abordadas e discutidas as origens das populações que formaram Santa Catarina - seus destinos, etnias, sobrenomes, procedência, onde se instalaram, a herança cultural que trouxeram e que legaram aos seus descendentes e à sociedade barriga-verde. Foram abordados os grupos étnicos: Portugueses Continentais, Nativos Brasílicos, Africanos, Açorianos, Alemães, Italianos, Gregos e Ucranianos. Outros temas de palestras: Apresentação do brasão do INGESC e o símbolo do II Congresso; Recursos de pesquisa da Biblioteca Nacional; Os Cemitérios de Santa Catarina; Apresentação Cultural - Vídeo Quilombola e lançamento dos livros “Autdeutschen: A História que não foi Contada” de Zélia Maria Nascimento Sell e “Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” de Sinira Damaso Ribas.
O INGESC recebeu uma dádiva de inestimável valor, a Biblioteca Genealógica de Elisiário Camargo Branco, de Lages.
Para êxito do II Congresso, participantes do INGESC e do Fórum SC-Gen, se fizeram presentes. Importante foi a participação da representante do Colégio Brasileiro de Genealogia, Regina Cascão, de Augusto Zeferino, vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, além de genealogistas do Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, coestaduanos, visitantes e estudantes da Grande Florianópolis. Para coroar o sucesso, empossamos novos sócios efetivos e o benemérito Osni Antonio Machado.
Daqui dois anos tem mais! Participe!

Por Sinira Damaso Ribas

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

II Congresso INGESC


Instituto de Genealogia de Santa Catarina – INGESC
II Congresso Catarinense de Genealogia.
Santa Catarina: “Questio Originis” –
Origens Demográficas e Destinos.
11 a 13 de setembro de 2009 - Florianópolis/SC




Prezados Senhores,

Encaminhamos release de palestra a ser proferida durante o II Congresso Catarinense de Genealogia, promovido pelo Instituto de Genealogia de Santa Catarina:

Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas Escolas

Ministrante: Professora Sinira Damaso Ribas.

Data e Local: 12/09/2009, às 09h10min, Auditório Pe. Eduardo Michelis, Casa de Encontros Provincialado do Coração de Jesus, Florianópolis/ SC.

A Lei 11.645/2008 torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nos estabelecimentos de ensino fundamental e ensino médio, públicos e privados.

A palestrante apresentará à comunidade o Caderno Pedagógico Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, de sua autoria, direcionado para alunos de 6.º ao 9.º ano do Ensino Fundamental, trabalho no qual busca levar alunos e educadores a se posicionarem de maneira reflexiva e crítica sobre o significado e abrangência que o tema propõe.

É também proposta desse caderno pedagógico repensar a forma de trabalhar a multiculturalidade na escola, numa tentativa de contribuir com a construção de relações em que a diversidade seja foco de respeito e reflexão. O tema propicia a aprendizagem e a apreensão de algumas peculiaridades dos povos indígenas e de afrodescendentes, reconhecendo essas culturas e sua contribuição valorativa para a formação do povo brasileiro miscigenado.

O estudante e a sociedade devem reconhecer o quanto herdaram dos povos brasílicos originais e das culturas trazidas pelos africanos para fortalecer o sentimento de BRASILIDADE.

Sobre a palestrante: Sinira Damaso Ribas é Pedagoga, Especialista em Administração Escolar e Pós-Graduada em Interdisciplinaridade. Escritora de obras históricas, didáticas e paradidáticas, dentre as quais Resgate de Memórias. Papanduva em Histórias. Famílias; Coleções Corpo Enxuto I e II; Brasilidade. História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. É sócia-fundadora do Instituto de Genealogia de Santa Catarina – INGESC.
Organizadores II INGESC

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mulheres do Contestado

Fórum SC-Gen -
 Release de "As Mulheres do Contestado", tema abordado no programa "Nossa História", com a participação de diversos entrevistados, dentre os quais destacamos nossa colega Sinira Damaso Ribas!


De: "programa Nossa Historia"
http://br.f528.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=nossahistoriaam630@hotmail.com
"As Mulheres do Contestado" - tema do programa "Nossa história" de 25 de agosto de 2007 - sábado, seis da tarde, transmitido pela Rádio Paraná educativa am 630.A jornalista Zélia Sell, que já pesquisa o tema, reuniu escritores e historiadores que encontraram, em seus trabalhos de genealogia, perfis de parentes do sexo feminino que viveram nessa época.
O Contestado é um tema abordado em livros de dezenas de autores, mas o destaque à participação feminina no episódio não tinha acontecido até então.
As bravas mulheres do Contestado tiveram suas propriedades invadidas, seus bens saqueados e seus parentes mortos de forma cruel. Mães de família, fazendeiras, comerciantes, parteiras, elas foram conduzidas a redutos e muitas vezes se transformaram em guerreiras valentes como Maria Rosa e Chica Pelega.
O programa apresentará também o projeto para que uma praça seja dedicada em Curitiba a essas mulheres.
"Nossa História" pode ser ouvido pela internet no sábado, das 18h00 às 19:00 horas na página:
http://www.pr.gov.br/rtve
clicando no link à esquerda da tela onde se lê "Rádio am 630 ao vivo".
Sugestões podem ser enviadas para: Caixa Postal 25 - CEP 80011970- Curitiba-Paraná


Mulheres no Contestado
Sinira Damaso Ribas

No tema, Mulheres no Contestado, meu enfoque é sobre uma senhora da população civil, que se viu envolvida no conflito.


Vou contar a história de Maria Peters da Silveira, (1881–1967), nascida em Bela Vista do Sul SC, descendente de imigrantes alemães.
Maria era irmã gêmea de João, nascidos em 1881. É filha de João Peters (1841) e de Rosa Peters (1844). Esta por sua vez, filha de Suzana Stresser (1818) e Jacob Peters (1813). Suzana era filha de Suzana Maria Raiter e João Stresser (1800), chegados em Rio Negro em 1829. Maria Peters tinha como avô paterno Johanes Peters chegado em Rio Negro em 1829.
Criou-se em Bela Vista do Sul (hoje Mafra), numa família numerosa, envolvida nas lides campeiras e lavoura. As meninas preparavam-se para ser donas de casa e boas mães de família, tarefa que ficava a cargo de sua mãe, Dona Rosa Peters. A família era católica e repassava aos filhos a rígida educação que trouxe do berço da longínqua Alemanha. Casou-se com Luís Damaso da Silveira Filho (1873 – 1938), morador de Bela Vista do Toldo SC, nascido na Lapa PR.
Maria era uma mulher alta, meiga, de traços delicados, culta, lia muito. Estava sempre de vestido longo e na mocidade usava espartilho. Para andar a cavalo, as mulheres sentavam-se de lado, sobre o selim e o vestido era estendido sobre a garupa do animal.
O casal Luís e Maria veio morar na localidade de Salceiro, nas proximidades de Canoinhas, já no início do século passado. Ali construiu casa de morada, com amplos galpões e celeiros. Cuidavam da agricultura de subsistência, criação de gado e suínos.
Marica assumia o encargo de cuidar das vacas de leite, da horta, do jardim, e da criação dos filhos. Contava para isso com a preciosa ajuda de algumas serviçais e já com as meninas mais velhas para cuidarem dos irmãos pequenos. Era uma dona de casa dinâmica e prendada. Com a abundância de leite que se produzia, fazia queijos, que eram vendidos em Canoinhas. Para isso, uma vez por semana, Marica chamava os meninos para atrelarem um animal em sua charrete e lá ia ela, com algumas crianças menores até à cidade, vender queijos curados, ovos, requeijão, nata e leite fresco.
Em janeiro de 1912, Marica, com apenas 31 anos, já tinha os filhos, Rosa, Vitório, Davino, Hercílio, Anita e João Batista.
Iniciava-se o ano de 1912, e Maria, já em 15 de fevereiro, pariu o seu 7º filho, o pequeno Jair. Numa madrugada, quando o nenê estava com 17 dias, a família foi acordada com o aviso de que jagunços estavam se aproximando do Salceiro e era preciso tomar providências para não perecer.
Dias antes Luisinho já soubera que em Canoinhas, alguns revoltosos andavam fazendo motins na localidade. Muita gente estava sendo injustiçada por ação de desapropriações e desmando de alguns chefes da Lumber. As autoridades se mostravam omissas e alguns líderes da comunidade se colocavam a favor dos injustiçados revoltosos.

Em 1910, a Souther Brazil Lumber and Colonization Company, instalou-se em Três Barras e construiu ramais ferroviários que partiam do pátio da serraria e rasgavam densos pinhais, prejudicando muitos posseiros e proprietários que há muito viviam no planalto.
A região era habitada por descendentes de alemães, imigrantes poloneses e na grande maioria pelos caboclos nativos ou operários da Lumber.
Com o conhecimento do perigo iminente, Luís e Marica tomaram seus filhos, alguns pertences e saíram de casa, pelos fundos da propriedade, de barco, através do rio Canoinhas. Pelo rio seguiram até certo ponto e depois a cavalo rumaram por terra a Bela Vista do Sul para se refugiarem junto aos familiares Peters.
Entre as peripécias da viagem consta que o bebê Jair caiu do cavalo, mas nada de pior aconteceu porque estava envolto em mantas e muito bem acondicionado nos tradicionais cueiros e faixas de antigamente.
A casa da família Damaso da Silveira, no Salceiro foi saqueada pelos jagunços, que dela levaram tudo e inclusive animais e víveres dos celeiros. Para completar o quadro de destruição a casa foi queimada e só sobrou a chapa do fogão jogada dentro do poço.
Imaginemos a angústia que passou a família com 7 filhos, quase sem roupas, sem cobertas, sem móveis e sem casa. O importante é que ninguém pereceu.
Maria foi muito forte nesta adversidade e encontrou em Bela Vista do Sul, no seio da família Peters o abrigo. O mesmo aconteceu com Luís, que foi ajudado nesta triste circunstância, pelos irmãos e pelos pais, moradores em Bela Vista do Toldo.
Era gente de pulso firme e não se deixou abalar.
A família de Maria e Luizinho Damaso ficou por vários meses em Bela Vista do Sul e o bebê Jair Damaso da Silveira só foi batizado em Canoinhas, pelo Frei Menandro Kampe em meados de agosto de 1912, quando a família regressava do exílio.
Reconstruíram sua casa de morada no Salceiro, ainda maior e melhor, um casarão, hoje restaurado e tombado para preservação.
Dona Marica Damaso, como era conhecida, ainda teve mais uma filha, Alaíde, e vivenciou até 1915, os horrores da época da revolta do Contestado.
O casal teve ainda a desdita de ver seu pai e sogro decapitado por integrantes de um piquete de jagunços em Bela Vista do Toldo em 27 de julho de 1915, juntamente com 11 moradores. Era o comerciante octogenário Luís Damaso da Silveira.
O conflito terminou em 1916 e a vida voltou ao normal.
Maria Peters da Silveira foi um exemplo de mulher e tenho o maior orgulho do mundo de ser sua neta.

                                                                         * * *

CONSTELAÇÃO FAMILIAR SISTÊMICA E XAMÂNICA

Conhece a constelação xamânica? Dinâmica que muito tem ajudado pessoas a ver situações que se tornam problemas em suas vidas e mostra as sol...