Tropeirismo no Planalto Norte Catarinense


I Gincana Cultural – Projeto “O Legado do Movimento Tropeiro” realizado pela UnC – Campus de Mafra - 2010



         A Gincana teve início no mês de maio e faz parte do projeto de pesquisa que visa levantar o legado sócio-cultural do movimento tropeiro ao longo do antigo caminho no trecho do município de Mafra ao município de Papanduva tendo como tema O Tropeirismo. Sob a coordenação do professor Sandro Moreira, o projeto teve seu início no final do ano 2009 e encerrado no mês de setembro 2010 com o lançamento de um livro, incluindo o material coletado na Gincana Cultural.

O projeto tem apoio da Fundação Catarinense de Cultural através do Edital Elisabete Anderle, do Estado de Santa Catarina e da Universidade do Contestado
Onde eu  Sinira  entro nesta história?


Uma equipe da gincana me pediu ajuda, o que atendi prontamente.


Enviei 5 “causos” de tropeiros para o pessoal.
E ganhamos o primeiro lugar.


Recebi o resultado por e-mail:
De: "prof.cinthia@gmail.com"


12/08 2010
Olá Sinira
Agradeço a sua ajuda de causos. A equipe com que colaboramos ganhou em 1º lugar, saiu hoje o resultado.
Abraços,
                Cínthia

Quais os “causos” que enviei?

* Tropeiros perecem no Passo Ruim
* O Tropeiro, o índio e da onça
* O Tropeiro e o Corisco
* Tropeiro Alemão
* Resquícios do Tropeirismo em Papanduva


Entregue a premiação da I Gincana Cultural – Projeto “O Legado do Movimento Tropeiro” realizado pela UnC – Campus de Mafra
Na segunda quinta-feira (12) do mês de agosto de 2010, o Espaço do Pátio da Pedra recebeu para premiação as equipes vencedoras da I Gincana Cultural – Projeto “O Lageado do Movimento Tropeiro”.
      As equipes que participaram da Gincana coletaram o material através de entrevistas com pessoas moradoras na região compreendida do projeto de pesquisa.
      Na Categoria ensino médio a equipe vencedora foi Caçadores de Histórias 2 da Escola de Educação Básica Professora Paula Feres composta pelos alunos: Diego Patrick Ferreira de Moraes, Anderson Kalisky, Fabiano Goes Lucas, Camila Padilha, Gilmar Wengrnovski.

     Na categoria ensino superior a equipe vencedora foi a Caçadores de Cultura do Curso de Ciências Biológicas da UnC, Campus de Mafra composta pelos acadêmicos: Adriana Cristina Goldbach, Ricardo Smaga, Ana Carolina Zieskowski, Luciano Valério Junior.

Valeu moçada!




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    Tropeiros Perecem no Passo Ruim

Kolonie Zeitung de 01/02/1868 nº5 –pg.18 *1

Jornal da Colônia foi publicado na Colônia Dona Francisca,

antiga denominação para a cidade brasileira de Joinville.


Eis o texto do jornal há mais de 140 anos:


“No dia 13 de janeiro de 1868, no local denominado ‘Passo ruim’, no caminho de Rio Negro a Lages, a 8 léguas de distância de Rio Negro, foram mortos por bugres, quatro tropeiros adultos e dois garotos. Conduziam uma tropa de 17 mulas, carregadas de gêneros de secos e molhados.                      Faleceram no ataque, José Fernandes, José Mariano dos Santos, Francisco de Carvalho, João Manoel Ribeiro e os garotos Johann, e Generoso.”

Kolonie Zeitung - 01/02/1868-nº. 5- p.18 - resumo.


Tanto é verdade que José Mariano dos Santos foi inventariado em Lages, conforme consta COD. 10 CAIXA 34 (O1) 08. 1868 no
Museu do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina.__._,_.__


Passo Ruim é hoje comunidade adjacente à cidade de Papanduva SC, que naquele tempo pertencia a Rio Negro PR. Pertinho dali, se localiza o Passo da Cruz, local de muitas mortes de tropeiros no trajeto Sorocaba/Viamão.


Passo Ruim era um banhado no Caminho das Tropas, pela má drenagem de um afluente do rio São João. Era local de ataques de feras, índios e saqueadores de tropas. Assim se justifica o nome. Este episódio de 1868 vai para os meus registros históricos.
Em vão tentaram mudar o nome para Passo Feliz, mas não pega.


Hoje, as famílias Ribeiro, Santos, Fernandes e Carvalho continuam entre as pioneiras de Papanduva, mas constavam como de Rio Negro. E a BR 116 passa tranquila cortando a região sul.
Sinira Damaso Ribas. Papanduva, SC
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1 - Kolonie-Zeitung (Jornal da Colônia), foi um jornal publicado na Colônia Dona Francisca, antiga Joinville Santa Catarina. Foi fundado por Ottokar Doerffel. Seu primeiro número foi publicado em 20 de Dezembro de 1862, com máquinas trazidas de Hamburgo. Com uma tiragem inicial de 300 exemplares, funcionava como órgão informativo para a Colônia Dona Francisca e Blumenau. Doerffel enviava também 50 exemplares a Hamburgo, para distribuição na Alemanha.
Ao longo dos 80 anos de sua existência o jornal mudou de nome em 5 ocasiões.


Apesar de chocante, a íntegra da notícia foi publicada, e eu a transcrevo aqui, pois talvez seja útil a interessados no assunto em relação a alguns detalhes colocados:

“Rio Negro -17 de janeiro de 1868.


Um triste acontecimento deixou nossa freguesia abalada. Em 13 de janeiro, na estrada de Rio Negro a Lages, a 8 léguas de distância daqui, em Passo Ruim, um tropa com 17 mulas, que estavam carregadas de gêneros de secos e molhados foram atacados por Bugres e todos os condutores, quatro homens e dois garotos (jovens) foram mortos. Em 14 de janeiro veio a notícia através de um viajante que passou pelo local no início do dia; imediatamente o Subdelegado, Sr. Johann Bley, dirigiu-se, ao meio dia, com 30 homens, para o local do ocorrido. Na manhã do dia 15, o grupo chegou ao local e encontrou tudo da forma como foi deixado. Era uma visão horrorosa. Os corpos estavam deitados completamente nus, já em início de decomposição, com as varas, com as quais os mataram aparentemente colocadas propositalmente sobre seus corpos. As varas, em ambas as extremidades são untadas com cera, provavelmente de forma a não escorregarem da mão durante o uso.


Quantos aos mortos, Benedito José Fernandes apresentava uma lesão de porrete (Keulenschlag) no meio da cabeça, José Mariano dos Santos três lesões, e dois cortes de lança no abdômen; João Manoel Ribeiro, três lesões na cabeça e um em cada braço; Francisco de Carvalho quatro lesões na cabeça e o braço esquerdo esmagado; o jovem Johann, uma lesão na cabeça e o jovem Generoso três lesões na cabeça. Em todos caso, foram mortos durante o sono. Dos mortos, Carvalho estava deitado a uma certa distância em uma depressão. Possivelmente, tenha este acordado, levantado e corrido, e perseguido, buscado e então assassinado. O jovem Generoso foi encontrado em torno de 50 braças do local, na mata. Os Bugres não costumam matar crianças, mas os aprisionam para levá-los consigo; talvez Generoso tenha sido levado à família dos bugres e mais tarde assassinado, ou talvez os bugres, então sobrecarregados com materiais, e o garoto pode ter sido um incômodo, ou talvez tenha gritado demais, podendo chamar a atenção, denunciando o acontecimento; já era início da manhã e já se podia ouvir o trotar de qualquer cavaleiro. Isso pode ter causado a pressa dos bugres em fugir sem roubar-lhe as roupas. O menino por isso, talvez ainda estivesse vestido, enquanto todos os outros corpos foram encontrados nus. Apenas sobre um dos mortos havia sido curiosamente colocado um cinto indígena. Todas as mulas desapareceram, sem dúvida levadas pelos bugres, já que de todas as carnes, é a da mula a que estes preferem. Eles, no entanto não se preocuparam em colocar os cabrestos (Halftern); todo o material em couro e celas (Tragsättel) ainda foi encontrado, apenas o material em ferro e metal foi retirado. Do carregamento restava espalhado muita farinha, café, sal, e outros. Os bugres apenas levaram o que estava em sacos; 42 mil reis em moeda - papel, ainda estavam no local, já que para os bugres este não tem utilidade. Um tonel de cachaça foi encontrado vazio com seu fundo quebrado. A perda em materiais foi de 800 a 1.000 reis. Devido ao estado de decomposição dos corpos não foi possível transportá-los à cidade, e assim foram enterrados naquele local.

Na manhã de 17 de janeiro, o Subdelegado e seu grupo retornaram a esta cidade. Desde aproximadamente 18 anos não havia ocorrido ataque igual nesta região. Mas, é possível que isso ocorra novamente, já que atualmente, em todos os lugares nas matas da região observam-se muitos rastros de bugres”.

Kolonie Zeitung, p. 19-1/2/1868- nº.5

E assim foi........

                                                                        * * *

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