História do Porto de Cima e os meus Antepassados

                                  
 Porto de Cima - Paraná
Esta história me toca porque tem tudo a ver com meus antepassados  bandeirantes, mineradores e sesmeiros,  integrantes dos fundadores de Curitiba e com meus ascendentes alemães que chegaram em Rio Negro em fevereiro de 1829.
Porto de Cima era um antigo pouso de tropeiros, ao pé da Serra do Mar, localizado na estrada da Graciosa. Hoje é distrito do município de Morretes.
Sua história remonta ao início do século XVIII, com a garimpagem de ouro nos aluviões do rio Nhundiaquara.
            Os caminhos coloniais eram a única ligação entre o litoral e o planalto paranaense, em meados do século XVII. Por eles subiram os predadores de índios, os buscadores de ouro e os homens que povoaram os Campos de Curitiba e os Campos Gerais. E entre eles alguns meus antepassados.

 
           O povoado de Porto de Cima teve seu apogeu em decorrência dos engenhos da erva-mate e, nas últimas décadas do século XVIII, passou a ter grande importância econômica como entreposto comercial entre o litoral e o planalto do futuro Paraná. Pelo rio se fazia o transporte entre o litoral e o planalto. Também foi ponto de acomodação de açorianos. Eram famílias distintas, herdeiras dos costumes das ilhas, gente com espírito desbravador. 
Em 1820 Saint-Hilaire desceu o planalto para o litoral e descreve algumas passagens por Morretes e Porto de Cima: “Ao chegar ao Porto eu me vi em outra atmosfera e o calor muito mais forte do que nos arredores de Curitiba e nos Campos Gerais”.
Na primeira metade do século XIX, a região, devido às facilidades de transporte oferecidas pelo rio, passou a abrigar engenhos hidráulicos de beneficiamento de erva-mate. Com o crescimento populacional da localidade fez-se necessário ampliar a capela.
 A transferência dos engenhos ervateiros para o planalto e a construção da ferrovia ligando-o ao litoral vai esvaziar economicamente o Porto. 
A igreja de São Sebastião, erguida na praça principal de Porto de Cima, revela externamente as duas etapas de sua história, pois na ampliação feita no século XIX, a antiga e diminuta construção passou a ser a capela-mor da igreja. Ela tem, até hoje, duas fachadas.
Dou importância ao local pelo fato de fazer parte do trajeto percorrido pelos meus ancestrais alemães, chegados em Rio Negro em fevereiro de 1829.
De Paranaguá até Porto de Cima, os imigrantes subiram pelo Caminho da Graciosa, fizeram alguns pernoites, repousaram e dali em diante, fizeram o trajeto pelo Caminho de Itupava. Certamente oraram na Capela de São Sebastião do Porto de Cima.
Pouco antes da chegada dos alemães, a Capela da Estrada da Mata - hoje Rio/Mafra, recebeu casais de açorianos, provindos do Porto de Cima.
Do Porto de Cima para se chegar a Rio Negro, passava-se pela Lapa.
A morada temporária dos açorianos pelo Paraná legou-lhe o prato que o representa:  o Barreado.
Algo mais:
Barreado 
Único em todo o Brasil, é testemunha do costume açoriano de “barrear” a tampa com grude de farinha e água, descer a panela amarrada com cordas até o centro de vulcões inativos para cozinhar, carnes temperadas com especiarias. Barreada e enterrada na areia de nosso litoral, a panela de barro abriga até hoje, a herança portuguesa.

Caminho da Graciosa
           Este caminho foi trilha dos indígenas que desciam a Serra do Mar para mariscar no litoral e depois subiam na época do pinhão.
        Teve o início de sua construção entre 1625 e 1654.

O caminho do Itupava

O Caminho do Itupava é uma trilha histórica aberta por índios e mineradores e calçado com pedras por escravos para ligar Curitiba a Morretes no Paraná. Mostra a grande beleza cênica da mais rica floresta tropical úmida do Brasil. Durante mais de três séculos os caminhos coloniais foram a única passagem da costa para o planalto, dando posteriormente origem às rodovias e ferrovia, que possibilitaram o desenvolvimento do Estado do Paraná.

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