quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Alguns dos meus escritos desde 2002

Composições

Sinira Damaso Ribas

EU SOU Uma extensão da mente de Deus

Coletânea de Artigos, Ensaios, Crônicas Histórias e Pedagógicas
Publicadas e Inéditas



1 Começando a EscreverSinira Damaso Ribas

Na década de 50 não havia televisão e o cinema era uma coisa rara no nosso meio. As notícias chegavam até Papanduva - SC, pelo rádio, pelas revistas “O Cruzeiro” – o mais importante periódico brasileiro de todos os tempos, pela revista “Seleções” e por dois jornais semanários de Canoinhas.
Seleções e O Cruzeiro me acompanharam durante boa parte da minha infância. Meu pai era fã das revistas e não perdia nenhuma edição.
Ao lembrar me emociono. Meu pai já se foi, mas guardo a doce memória da figura paterna que muito me amou, uma lembrança alegre guardada no coração daquela criança que também já se foi...
Antes mesmo de aprender a ler eu me sentia fascinada pelas gravuras estampadas. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras e Mamãe e minhas irmãs mais velhas me ajudavam nisso, enquanto as mais novas me estorvavam.
       Quando fui precocemente para o primeiro ano primário, já tinha a noção vaga da estrutura de palavras que precisava conquistar. Fui imediatamente subjugada pelas letras. Quando me cansava de sentar em frente à Cartilha de Leitura e aos cadernos, me deitava ao chão e continuava meus treinos ortográficos, mesmo sem entender o que produzia. De bruços no assoalho, atrapalhava o trânsito dentro de casa. Lembro que escrevia seqüências de sílabas em folhas de papel de embrulho da casa de Comércio de meus pais.
O gosto pela literatura e poesia já era de família e esta semente vinha germinando. Com 10 anos, ao ingressar no curso ginasial em Rio Negro, passei a ler e colecionar as revistinhas de “O Pato Donald”. Colecionava figurinhas e montava álbuns, como do Bambi (Disney). Esta história do Príncipe da Floresta me encantava.
Desde cedo tinha assinatura de revistas em quadrinho, gibis com diversas temáticas.
Comecei a ler os primeiros livros no Colégio de Canoinhas. Eram romances “água de açúcar”, censurados pelas freiras franciscanas. Logo tomei gosto por romances de amor ou policiais e logo mais devorava qualquer coisa que me caísse nas mãos. Assim como lia, fazia anotações e pequenos resumos de obras e tomava cada vez mais intimidade com a prática da escrita, um bem que almejo usufruir pelo resto dos meus dias.
Como professora, por mais de 30 anos, as práticas da leitura e contato com diversos textos estiveram no meu cotidiano. Muito me envolvi nas lides com as letras, mas não é só isto que nos faz praticantes da escrita.
O grande respaldo para escrever obtemos pela leitura e prática de pesquisas. É o embasamento necessário, além da inspiração e vontade de fazer arte. A habilidade e o gosto artesanal de escrever vão além das necessidades do cotidiano, trabalham nosso raciocínio e preenchem nossa vontade de socializar o que produzimos. Aqueles que apreciam o que escrevemos nos dão o necessário estímulo.
Nunca mais quero parar, pois como dizia Graciliano Ramos – “A palavra não foi feita para enfeitar e brilhar; a palavra foi feita para dizer." E “o que eu digo eu penso” e muita coisa do que penso eu digo.


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2
Domínio Espanhol
Sinira Damaso Ribas
Desde o Tratado de Tordesilhas, nossa região era de domínio espanhol por estarmos a oeste da linha demarcatória. Por ordem do rei da Espanha em 1775, o cartógrafo oficial da coroa Don Juan de La Cruz Cano Y Olmedilla1, confeccionou o mapa meridional da América do Sul, com os domínios espanhóis e portugueses.
Chamou-nos a atenção o fato de Orville2, geólogo americano, no século XIX, citar segundo o mapa de Olmedilla, alguns acidentes geográficos do planalto norte e serrano (hoje catarinense) como “San Juan” (Matos de São João) - “Espigon” (Sierra) o Rio Canoas-Meri” (Canoinhas), “Tacuaral” (Taquaral no Município de Monte Castelo), “Cori e “Tibanos” (Curitibanos).
Orville fala em “Alto da Sierra” e entre outros tantos pontos com nome espanhol ou indígena, cita no final, o rio “Garabatahy” (rio Gravataí) e “Viamon” (Campos de Viamão, onde termina o Caminho das Tropas no Rio Grande do Sul).
Nossa região fazia parte da Província de São Paulo. A Província de Santa Catarina tinha dimensões reduzidas. Em 1853 passou a fazer parte da Província do Paraná e só depois da Guerra do Contestado voltamos a ser catarinenses.
Estamos pesquisando a Estrada da Mata e o Caminho das Tropas, e mais uma vez constatamos, que neste trajeto desde Sorocaba SP, o único rio que caminha para leste é o rio Itajaí.
Os outros rios, inclusive os nossos vizinhos rio Negro, São João, Papanduva e Canoinhas, todos vão para o oeste, para a Bacia Platina. O rio Itajaí do Norte nasce em Papanduva, em Queimados, divisor de águas, logo adiante se precipita num salto espetacular, e mais além a sua natureza caprichou num local chamado Terreiro de Pedra, mas que os bandeirantes que abriram o caminho das tropas se referiram como “uma calçada”.

Interessante é que Papanduva, segundo os sertanistas, fazia parte dos chamados “Matos de São João’. Assim se expressaram: "(...) Tem a dita Lomba Grande um despenhadeiro para a parte do nascente. A lomba do mato de São João tem uma travessia de sete ou oito léguas; no meio deste mato há um ribeirão que corre para o nascente com grande barrocada, duma parte e outra, muita pedra, e quatro braças de largo com só dois palmas de fundo. (...) No seu interior se acha o ‘grande Pinhal”3.
Em seus roteiros de viagem as extensões são em léguas. Usavam-se medidas em braças e pés. Falava-se em restingas, faxinais e campestres, nas épicas jornadas por onde por muito tempo passariam as tropas de bovinos e muares, rumo ao Brasil central. 4
A planície que mais tarde se chamou Papanduva constava no roteiro do sul, aberto por Francisco de Souza e Faria em 1727, como “a Desejada”. “(...) É esta campina com duas léguas de circuito, com muito bom pasto, tendo, porém um pantanal que a cinge quase toda pelo norte” (referia-se ao capim papuã e aos banhados do bairro Barro Preto e do Passo Ruim).
Local aprazível, águas cristalinas, capim doce, segurança! Papanduva já era e ainda o é o paraíso da hospitalidade .
------------------------------------------------------------------------------------------------1- Don Juan de La Cruz Cano Y Olmedilla – Cartógrafo oficial da coroa espanhola, autor do mapa da América Meridional em 1775. http://members.fortunecity.es/cartografias/canolm.html Acesso em 22/02/2005


2- Orville Adelbert Derby. (1851 – 1915) – notável geólogo e geógrafo americano, que trabalhou no Museu Nacional do Rio de Janeiro e realizou inúmeros estudos no Brasil, organizando as coleções de mineralogia e paleontologia. http://www.sobiografias.hpg.ig.com.br/OrvileAD.html Acesso em 22/02/2005

3- Cf. MOREIRA, Júlio Estrela. Caminhos das Comarcas de Curitiba e Paranaguá (3º volume) 1975. Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Paraná. Curitiba

4- RIBAS, Sinira Damaso. Resgate de Memórias: Papanduva em Histórias. Famílias. 2004





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3

Importância de grupos Étnicos na Colonização de Papanduva
Sinira Damaso Ribas



A união dos três grupos étnicos fundadores do povo brasileiro - o negro, o índio, e o português - forma a base original do povo papanduvevse, aliado aos imigrantes alemães, poloneses e ucranianos e mais tarde por japoneses e descendentes de italianos.
Papanduva foi moldado primeiro pelos índios, pioneiros no uso da terra, seguidos no século XVIII e XIX pelos tropeiros, por agricultores paulistas e paranaenses de origem portuguesa ou espanhola, pelos caboclos luso-brasileiros e afrodescendentes das frentes de trabalho de construção e manutenção da Estrada da Mata e pelos imigrantes germânicos, eslavos e em menor número por japoneses e descendentes de italianos.
A História é construída pela ação humana.
Hoje se encara de outra maneira o estudo de História. Dá-se ao aluno(a) um outro olhar para o passado.
Questionamo-nos como professores sobre a melhor maneira de trabalharmos em sala de aula sobre a temática de colonização e imigração sem excluir nenhum grupo étnico e sem exaltar nenhuma contribuição como mais relevante.
Tela de Aldira Silveira Perretto

O professor deve fazer com seus alunos, atividades que os levem a se reconhecerem como sujeitos históricos e como tal fazerem pesquisas em locais que extrapolem o ambiente da sala de aula.É recomendável leva-los a pesquisar a contribuição dos diversos grupos étnicos, sem desvalorizar aqueles que comumente são excluídos, como os indígenas da região e os afro-descendentes. Acentuamos que se valorize também o papel da mulher ao longo da história. O que é importante é dar dignidade a estes sujeitos históricos, que não podem ficar invisíveis e considerados inferiores.
Devemos valorizar os imigrantes, mas não desvalorizar os nativos. Os alunos devem ser estimulados a conversar com pessoas da comunidade, acerca dos grupos étnicos que se estabeleceram na sua região. Outra atividade seria explorar as fontes orais, com entrevistas com descendentes de imigrantes e a pesquisa sobre a sua cultura e hábitos familiares.
Importantes são as fontes históricas escritas, bibliografias, jornais, fotos e os próprios livros didáticos, questionados e revistos, levando-se em conta que nos dias de hoje se usa outra abordagem no estudo de História.
Dentro de uma nova visão, deve-se levar o aluno a construir o conhecimento histórico a partir de que ele conceba de que ele próprio também constrói. O estudante deve perceber a diversidade étnica e social e aprender a respeitar as diferenças.

 
Em nossa comunidade não existe nenhum preconceito ou tentativa de se glorificar alguma cultura em detrimento de outras.Em tempos passados, quando não se valorizava a cultura dos indígenas e não se tinha a compreensão de que eles eram os verdadeiros senhores destas terras, havia em todo o planalto serrano meridional muito preconceito em relação a eles, bem como denominação pejorativa com conotação de “inimigo”. Mas, não podemos julgar os acontecimentos passados, só podemos analisar os fatos dentro de um contexto. Hoje nossa visão é outra, sendo necessário problematizar e questionar muitas concepções aprendidas. Uma delas é assentada na imaginação de que todos os índios eram iguais. Não. As populações indígenas eram e são marcadas pela diferença. Os índios que habitavam esta região eram os Botocudos, hoje denominados Xokleng, despejados de seu melhor habitat, as florestas de araucárias.
Todos, nativos, luso-brasileiros e descendentes de escravos africanos ou imigrantes, nos beneficiamos com as lições extraídas da História, hoje encarada numa perspectiva crítica/ética/cultural.





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